Ainda me lembro... Era uma tarde
quente de dezembro quando cheguei em casa, após mais um dia de trabalho no imenso
Cerrado.
O sítio onde estava morando era distante
da pequena cidade mais próxima e não havia nenhuma forma de comunicação na
casa. Apesar disso eu apreciava aquela situação, talvez para alguns considerada
precária, porém foi escolha e decisão minha essa condição.
Se havia algum desconforto era a
falta que eu sentia de escutar músicas. Música sempre foi minha companhia
preferida. Sem minhas Modas de Viola o silêncio, apesar de sedutor, ali se
transformava em solidão. E isso não era bom...
Na humilde e aconchegante casa encontrei,
esquecidos num velho armário, dois aparelhos de som. Um deles era um pequeno
rádio de pilhas que sintonizava apenas uma estação FM na qual a programação não
combinava com meu momento, o outro era um velho toca cds. Resolvi mexer no
amontoado de coisas na tentativa de encontrar algo agradável para ouvir. Já
estava quase desistindo quando um título me chamou a atenção: Sons Do Cerrado.
Coloquei pra rodar e entre os solavancos do velho aparelho que relutava em me
agradar, conheci a incrível musicalidade do poeta e cancioneiro, Mestre
Arnaldo, Arnaldo José de Souza.
À tarde mormacenta e solitária
foi acalentada pelas tocantes canções e letras que harmoniosamente se afinavam
com os sons da natureza que, apesar da sua supremacia sonora, se faziam enfáticos
para não serem ofuscados diante dos acordes que acabavam de ser descobertos no
armário de uma casinha no meio do Cerrado do sertão de Goiás.
Havita Rigamonti
No link abaixo uma de suas
canções. Boa viagem.