Poetas e Cantadores

Filmar a natureza por esse chão brasileiro me aproximou ainda mais de uma arte que sempre pulsou em minha alma. Inspirado por grandes poetas tocadores que encantam os corações por todos os cantos desse incrível Brasil, compartilho com vocês mais uma linha de trabalho.  Nosso tema é o som das vivencias de uma gente com o pé no chão.

Havita Rigamonti

Mestre

Ainda me lembro... Era uma tarde quente de dezembro quando cheguei em casa, após mais um dia de trabalho no imenso Cerrado.

O sítio onde estava morando era distante da pequena cidade mais próxima e não havia nenhuma forma de comunicação na casa. Apesar disso eu apreciava aquela situação, talvez para alguns considerada precária, porém foi escolha e decisão minha essa condição.

Se havia algum desconforto era a falta que eu sentia de escutar músicas. Música sempre foi minha companhia preferida. Sem minhas Modas de Viola o silêncio, apesar de sedutor, ali se transformava em solidão. E isso não era bom...

Na humilde e aconchegante casa encontrei, esquecidos num velho armário, dois aparelhos de som. Um deles era um pequeno rádio de pilhas que sintonizava apenas uma estação FM na qual a programação não combinava com meu momento, o outro era um velho toca cds. Resolvi mexer no amontoado de coisas na tentativa de encontrar algo agradável para ouvir. Já estava quase desistindo quando um título me chamou a atenção: Sons Do Cerrado. Coloquei pra rodar e entre os solavancos do velho aparelho que relutava em me agradar, conheci a incrível musicalidade do poeta e cancioneiro, Mestre Arnaldo, Arnaldo José de Souza.

À tarde mormacenta e solitária foi acalentada pelas tocantes canções e letras que harmoniosamente se afinavam com os sons da natureza que, apesar da sua supremacia sonora, se faziam enfáticos para não serem ofuscados diante dos acordes que acabavam de ser descobertos no armário de uma casinha no meio do Cerrado do sertão de Goiás.

Havita Rigamonti

No link abaixo uma de suas canções. Boa viagem.

Poetas e Cantadores

Filmar a natureza por esse chão brasileiro me aproximou ainda mais de uma arte que sempre pulsou em minha alma. Inspirado por grandes poetas tocadores que encantam os corações por todos os cantos desse incrível Brasil, hoje compartilho com vocês mais uma linha de trabalho.  Nosso tema é o som das vivencias de uma gente com o pé no chão.

Havita Rigamonti

Novidades que valem muito.

De Curitiba Havita Rigamonti

Como o grupo Viola Quebrada conseguiu guardar por tanto tempo estas canções tão sensíveis, fortes e ricas?

Grupo que sempre reverenciou os mais belos clássicos da Música Caipira aparece com uma preciosidade chamada, Meus Retalhos.

Um CD extremamente maduro musicalmente. Um repertório que emociona com melodias sensibilíssimas e letras que trás na poesia a vida da roça que há tempos não se via.

A maioria contemporânea dessa área musical tem apenas regravado ou reformulado  antigas músicas caipiras. Quase sempre a mesma coisa.

Neste caso, do CD meus retalhos, o futuro está garantido. Com toda certeza aqui nasceu sons que serão clássicos no futuro.

O Viola Quebrada “machuca” o coração com uma dignidade rara. Lado oposto do caminho das gravadoras mercantilistas, o grupo emerge como uma ilha de paixões sonoras.

Genialíssimos nos instrumentais respeitando a sensibilidade da música do campo, os instrumentos soam como valsa para os pássaros.

A riqueza não está apenas nas lindíssimas poesias e melodias, mas também na escolha acertada e maravilhosa dos parceiros. Artistas geniais como o incrível Chico Lobo, a delícia vocal de Katya Teixeira e segue o baile com Consuelo de Paula e Alváro e Daniel.

Nomes que também merecem muitos elogios são Ethel Frota, João Evangelista Rodrigues, Roberto Prado e Dalton Luiz Gandin que adicionam a força de suas letras com cheiro de terra do sertão.

Elogiar o Gulin, Rubens Nunes e Oswaldo Rios é redundante dado a genialidade musical destes 3. Hoje, vale ressaltar 3 outros incríveis: o baixista Sandro Guaraná, o percussionista Marco Saldanha e a doce Marinez Amatti que brilha de forma impressiva cantando como gente grande, mas mantendo a docilidade e timidez de uma menina do interior.

O sertão não existe mais, o homem ganancioso acabou com ele, mas a musicalidade de uma era, de um povo ficou! A reverência aos Caipiras reaparece de forma contundente com o Viola Quebrada no CD Meus Retalhos.

É só ouvir, sentir e viajar juntando nossos retalhos da vida que não voltam mais, apenas nas canções dessa obra de arte.

Na próxima prosa falo de outro músico fantástico – até já!

Fandango - Clique na foto para assitir a reportagem