De Curitiba Havita Rigamonti
Como o grupo Viola Quebrada conseguiu guardar por tanto tempo
estas canções tão sensíveis, fortes e ricas?
Grupo que sempre reverenciou os mais belos clássicos da
Música Caipira aparece com uma preciosidade chamada, Meus Retalhos.
Um CD extremamente maduro musicalmente. Um repertório que
emociona com melodias sensibilíssimas e letras que trás na poesia a vida da
roça que há tempos não se via.
A maioria contemporânea dessa área musical tem apenas
regravado ou reformulado antigas músicas
caipiras. Quase sempre a mesma coisa.
Neste caso, do CD meus retalhos, o futuro está garantido.
Com toda certeza aqui nasceu sons que serão clássicos no futuro.
O Viola Quebrada “machuca” o coração com uma dignidade
rara. Lado oposto do caminho das gravadoras mercantilistas, o grupo emerge como
uma ilha de paixões sonoras.
Genialíssimos nos instrumentais respeitando a
sensibilidade da música do campo, os instrumentos soam como valsa para os pássaros.
A riqueza não está apenas nas
lindíssimas poesias e melodias, mas também na escolha acertada e maravilhosa
dos parceiros. Artistas geniais como o incrível Chico Lobo, a delícia vocal de
Katya Teixeira e segue o baile com Consuelo de Paula e Alváro e Daniel.
Nomes que também merecem muitos elogios são Ethel Frota, João
Evangelista Rodrigues, Roberto Prado e Dalton Luiz Gandin que adicionam a força
de suas letras com cheiro de terra do sertão.
Elogiar o Gulin, Rubens Nunes e Oswaldo Rios é redundante
dado a genialidade musical destes 3. Hoje, vale ressaltar 3 outros incríveis: o
baixista Sandro Guaraná, o percussionista Marco Saldanha e a doce Marinez
Amatti que brilha de forma impressiva cantando como gente grande, mas mantendo
a docilidade e timidez de uma menina do interior.
O sertão não existe mais, o homem ganancioso acabou com
ele, mas a musicalidade de uma era, de um povo ficou! A reverência aos Caipiras
reaparece de forma contundente com o Viola Quebrada no CD Meus Retalhos.
É só ouvir, sentir e viajar juntando nossos retalhos
da vida que não voltam mais, apenas nas canções dessa obra de arte.
Na próxima prosa falo de outro músico fantástico – até já!


